Aos marinheiros de primeira viagem...

Caros amigos do esporte, sejam bem vindos ao Anônimos FC. Um blog que pretende te passar as informações mais relevantes junto a bons textos escritos por pessoas comuns que vêem o esporte como você. Com paixão, mas também com uma certa dose de ponderação e um gosto pelo alternativo, o inusitado. Nossa proposta é trazer o que há de relevante, sem rodeios. Você pode observar logo de cara a programação das TVs ao vivo e os resultados da NBA e dos epsortes americanos nos gadgets aí ao lado. Logo abaixo temos o Soccerway com resultados das mais diversas ligas de futebol ao redor do mundo e um pouco mais abaixo estão os textos que não deixam a desejar. Esperamos que vocês gostem.


Efusivos abraços a todos
TC Muniz Relvas

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quarta-feira, 11 de abril de 2007

Mir futbola: Hooligans

Na minha primeira coluna eu disse que explicaria melhor a história de que Margaret Tatcher é a responsável pelo surgimento dos hooligans tal qual conhecemos aqui. Essa coluna será destinada à esta explicação. Antes disso, começarei a explicar o sentido original da palavra.

Hooligan significa arruaceiro em inglês e falar em hooligans é falar em arruaceiros. Mas os arruaceiros como conhecemos aparecem a partir da década de 1980 e não antes. Coincidência ou não, Margaret Tatcher se torna a primeira-ministra britânica em 1979 e impõe um programa neoliberal cuja finalidade era destruir o estado de bem estar social que havia sob a alegação que este impedia o desenvolvimento da economia britânica. A crise do petróleo de 1973 favoreceu o desenvolvimento desse sentimento. E como em toda reforma neoliberal que se preze, as classes mais pobres foram as mais prejudicadas e como o futebol era uma das principais formas de diversão das classes desfavorecidas, este acabou tornando-se uma válvula de escape para quem foi vítima dos ataques do governo britânico aos trabalhadores. Tanto que a partir dos anos 90 como parte do plano de eliminar a violência dos torcedores, foi imposta uma série de reformas nos estádios de forma que os ingressos ficassem caros e inviabilisassem a presença da maioria dos trabalhadores aos estádios. Em clubes da Pemiership o preço do bilhete por jogo varia de 20 a 40 euros dependendo do clube. Em suma, o problema dos hooligans como conhecemos é fruto do neoliberalismo que domina no Reino Unido desde 1979 (ano em que Tatcher foi eleita).

Rodolfo Matos

quarta-feira, 28 de março de 2007

Mir futbola: a luta de classes

O fato:

Os destinos do futebol europeu são fortemente influenciados pelos clubes mais ricos do continente que estão organizados em uma entidade chamada G14 que inicialmente engloba 14 clubes e atualmente engloba 18. O G14 faz um lobby muito pesado junto a UEFA e a FIFA para conseguir obter o que lhe interessa. Se dependesse do G14, não haveriam mais as seleções nacionais, haveria uma superliga européia onde só os clubes membros participariam, e derrubariam os recursos que podem chegar aos clubes menores ou de centros menos fortes via copas européias.

O diagnóstico:

Inicialmente os clubes de outros centros europeus como o Panathinaikos, o Spartak de Moscou, o Sparta de Praga, o Rosenborg, entre outros deveriam se organizar em uma entidade alternativa ao G14 para contrabalançar a influência deste junto a UEFA e a FIFA. Como o G14 entraria nesta guerra de lobbies com maior poderio financeiro, será importante que os clubes mais pobres e/ou menores se organizem em outra entidade ou talvez se juntarem à entidade que inicialmente se embaterá contra o G14. Dependendo do poder de mobilização destes clubes, seria possível bloquear o calendário dos jogos como forma de pressão, interferir no esquema de negócios de jogadores caso sejam assediados por algum clube do G14, influenciar na política da UEFA dependendo da influência das federações nacionais na empreitada dos clubes, entre outras coisas.

O futebol europeu não pode ficar à mercê dos caprichos do G14. Todos os demais clubes são empobrecidos por isso. Além de que o G14 quer acabar com as seleções nacionais, como foi exemplificado no caso de um jogador marroquino que joga no pequeno Charleroi da Bélgica que se contundiu em uma partida da seleção. Isso motivou um processo do Charleroi que com o apoio do G14, quer receber indenização da federação marroquina em função desta contusão. O desfecho do processo, eu fico por dever.

Rodolfo Matos

quarta-feira, 21 de março de 2007

Mir futbola: Op de nederlandse draaimolen

Op de nederlandse draaimolen - Sobre o carrossel neerlandês (em neerlandês)

O fato:

Desde Rinus Michels, organizador do famoso time neerlandês do Ajax e da seleção neerlandesa da década de 1970, nunca mais viu-se algo semelhante ao "carrossel holandês" que consiste na polivalência, na inteligência e no preparo físico dos jogadores que foi a última grande revolução tática do futebol.

O diagnóstico:

Para se tentar organizar algo parecido ao "carrossel holandês" é necessário três coisas: a polivalência dos jogadores, o preparo físico dos mesmos e a inteligência para perceber a dinâmica do jogo.
- No primeiro ponto, isso é possível se houvr um sistema de treinamento a longo prazo que estimule os jovens jogadores a treinar em outras posições. No Ajax, por exemplo, o jovem joga um ano em uma posição diferente da posição original.
- O segundo ponto é o mais fácil de se conseguir, já que envolve apenas a necessidade de um bom sistema de condicionamento físico.
- O último ponto é o mais difícil já que envolve uma análise subjetiva. A necessidade é de se ter uma boa visão de jogo para saber o momento de trocar de posição, armar a linha de impedimento, montar a marcação sobre pressão, etc. Mas não é todo dia que aparecem jogadores inteligentes o bastante para isso e quando há, eles nao são preparados para ser polivalentes.

O ponto-chave para que o "carrossel holandês" possa ser repetido pelos jogadores é que precisa haver um sistema coordenado de treinamento tático mais rigoroso do que há no Ajax. Fazendo, por exemplo, um zagueiro passar um ano jogando no meio-campo e outro no ataque para que eles conheçam todas as versões que compõem a dinâmica de uma partida. No caso dos goleiros, botá-los para passar um ano como zagueiros para saber jogarem com a bola nos pés e se entrosarem com a dinânica do estilo. Também é importante estimular a vida escolar dos jogadores. A maioria não termina o ensino médio.

Também deve-se incentivar os técnicos a desenvolverem a tática, já que sem técnico audaz, não há reprodução do "carrossel holandês". O problema é que a maioria deles é incapaz o bastante para fazer algo diferente do 4-4-2 ou do 3-5-2. Isso significa que necessitaremos de uma nova geração de treinadores inteligentes o suficiente para reproduzir a invenção de Rinus Michels.

Rodolfo Matos

quarta-feira, 14 de março de 2007

Mir futbola: The CBF Cup

- O fato:

A Copa do Brasil é um torneio mal aproveitado que conta somente com pouco mais de 60 equipes em um espaço reduzido de tempo. Os representantes brasileiros na Taça Libertadores não podem participar e os times das séries B e C não tem participação garantida. Tudo bem que a Copa do Brasil foi o torneio que a CBF inventou para compensar a transformação do Brasileirão em um torneio de acesso e decenso, mas o formato poderia ser melhorado.

- O diagnóstico:

A Copa do Brasil deveria seguir os moldes de outras copas como a FA Cup da Inglaterra que abriga equipes profissionais e amadoras, e como a Copa da França que não só abriga desde os super profissionais da Ligue 1 até os mais amadores, sem falar que times da Guiana Francesa, Reunião, Mayotte, Nova Caledônia, Guadalupe e Martinica podem jogar a copa. Também há de se ressaltar que as fases nessas copas são definidas em jogos únicos (na FA Cup há jogos-desempate se forem necessários). Uma copa sob estes moldes teria que durar o ano todo e os times das divisões principais do futebol brasileiro poderiam entrar somente no segundo semestre, após mais da metade das equipes participantes estarem eliminadas nas fases anteriores. Também funcionaria como estímulo ao futebol no grotões do interior brasileiro, já que equipes seriam montadas, ligas amadoras seriam desenvolvidas, a possibilidade de confrontarem com os times da Série A em fases posteriores e ganharem visibilidade para evoluir com a carreira de jogador ou de técnico alimentariam o sonho de muitos Brasil afora. Também estimula a integração nacional, já que equipes do Acre ou de Roraima, por exemplo, podem enfrentar equipes gaúchas, baianas, ou talvez até de Fernando de Noronha (isso se houver futebol por lá). Em relação aos custos de viagem, muitos dos times seriam bancados por empresários, políticos (eles sempre estão onde o dinheiro e o poder estão ou estarão) e abnegados. Caso contrário, WO na veia e seguimos com a copa!

Com a viabilidade essa copa, seria possível convocar a todos os colunistas da Anonimos FC para montar um time, escolher uma sede e disputar o certame, por exemplo. Se dermos sorte, estaremos na Taça Libertadores da América.

Rodolfo Matos

terça-feira, 6 de março de 2007

Mir futbola: La nuit de foot

- Os fatos:

É sempre um problema para o Estado brasileiro e para os clubes cuidarem da manutenção dos seus estádios. Na maioria das vezes os jogos não correspondem financeiramente às necessidades de manutenção do estádio, além de que precisam pagar ao pessoal que cuida dos pormenores que permitem a realização do espetáculo esportivo. Por exemplo, o São Paulo na década de 1990 não pode aproveitar o dinheiro da venda de seus jogadores, pois as despesas de manutenção do Morumbi corroiam os cofres do clube paulista.

- Os diagnósticos:

Para resolver o problema, é necessário amplificar a diversidade das utilizações que um estádio pode oferecer. Dependendo do modo de uso, será necessário mudar o horário das partidas ou organizar sessões duplas: jogo + evento. Eis algumas possiblidades que reforçarão os cofres seja dos clubes, seja do Estado:
- Rave: Se as partidas forem transferidas para as noites de sábado, de preferência por volta das dez da noite, será mister pôr uma rave após o jogo para que o público continue consumindo no estádio. Para que isso ocorra, precisa-se de investimento no comércio dentro do estádio, contratar DJs, gastos de iluminação e mais seguranças privados. O preço dos ingressos poderá ser 50% mais caro para custeiar os gastos extras. As conseqüências serão: aumento do público de maior poder aquisitivo que consome mais, aumento da vida cultural no bairro onde há o estádio devido à movimentação noturna e os ganhos dos proprietários com turismo podem diminuir o temor com as despesas do estádio. Só deve-se ressaltar que as raves só devem ocorrer nas arquibancadas e nas gerais, evitando as cadeiras e o gramado.
- Cinema noturno: Se não forem possíveis as raves, que façam sessões abertas de cinema em vários telões que serão instalados no gramado. O público poderá ficar na grama deitado ou com lençol por baixo e ver o filme tranqüilamente. O gasto extra só se limitará à iluminação e ao uso dos projetores, não necessitando onerar muito o pagante no bilhete.
- Cadeião de fim-de-semana: Como é comum em muitos estádios a ação violenta das torcidas organizadas, pode-se fazer com que elas fiquem confinadas nos estádios após as partidas. O problema é que os clubes dependeriam do Estado para receberem as verbas de cuidado com os presos de momento nos estádios. Como os torcedores são presos e em seguida liberados, o efeito da prisão só durará nos finais de semana.
- Shows: Sempre reclama-se de que os shows em estádios destróem o gramado. A solução é mais simples do que se imagina: só se limita a pôr o espaço para que os grupos musicais se apresentem no meio do campo em um palco que permita a visão geral deles de todos os pontos e o uso de vários telões. O público se acomoda nas cadeiras, arquibancadas e nas gerais. Os espetáculos poderão ser ligados ou não aos jogos, mas para aumentar as rendas, é ideal a atividade "jogo depois show".
- Cultos evangélicos: Como os cultos podem desagradar a muita gente, eles devem ocorrer separados dos jogos. Utiliza-se da mesma lógica dos shows e as despesas ficam por conta das igrejas já que sempre nadam na grana.

Com essas propostas, o enriquecimento dos clubes brasileiros será latente e será mais fácil segurar os jogadores frente ao assédio do futebol europeu. Assim, a economia e a qualidade do espetáculo futebolístico melhorarão exponencialmente.

-Rodolfo Matos

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2007

Mir futbola: Fútbol's bar

O fato:

Hoje em Sevilha, o clássico local entre Betis e Sevilha válido pela Copa do Rei foi interrompido aos 12 minutos do segundo tempo, graças a uma garrafada que o técnico do Sevilha, Juande Ramos, recebeu na cabeça após o Sevilha abrir o marcador com Kanouté. Provavelmente o estádio Manuel Ruiz de Lopera (estádio do Betis) será interditado por várias partidas.

O diagnóstico:

Os problemas com garrafadas poderiam ser evitados se liberassem o consumo de bebidas alcoólicas nos estádios espanhóis. A liberalização do consumo faria com que boa parte dos torcedores ficasse devidamente entorpecida e devidamente desligada do calor da partida, principalmente nos clássicos. Mas como haverá gente empolgada com o consumo de álcool, então proponho que as partidas possam ocorrer em bares para que as cenas de pancadaria se tornem corriqueiras e assim, os árbitros não se dariam ao trabalho de marcar infrações, além de que as garrafadas seriam liberalizadas, já que elas fazem parte da tradição mística dos bares. Com sorte, as gangues e os hooligans (criados por Margaret Tatcher, mas isso é outra história) se interessariam em formar equipes de futebol e disputar as ligas. Desse modo, o futebol será um esporte mais feliz, raçudo e emocionante.

-Rodolfo Matos